Sunday, March 1, 2009

Devaneios sobre “WQ:ERFIP” de Carvalho A. A.

"A WebQuest: evolução e reflexo na formação e na investigação em Portugal” [1]
De Ana Amélia Carvalho, Universidade do Minho, S/D [2]

Carvalho, na comemoração do décimo aniversário do aparecimento do conceito de WebQuest, começa por situar historicamente a evolução do conceito inicial (1995), das alterações intermédias (1997-98) e do estádio final (1999), que suponho seja ainda o defendido pelo seu autor (Dodge).
De seguida explana os critérios que as partes (blocks) constituintes da WQ devem seguir, apontando as suas características e fazendo uma destrinça fundamental entre o que é uma Caça ao Tesouro [3]- procura de respostas específicas a questões específicas - e uma Aventura na Web [4] [5]– procura de hipóteses abertas ( eventualmente induções e especulações) assentes em questões específicas.
Posteriormente, Carvalho, debruça-se sobre a utilização das WebQuests na formação de professores e na formação inicial e contínua no ensino superior. Da análise das tabelas apresentadas sobressai que, a utilização das WebQuest no ensino superior se limita aos cursos de formação de professores. Assim só quem já é “professor” na prática e só quem o pretenda ser pela via de ensino, é que efectivamente tem alguma forma de contacto com esta forma de comunicar a exploração da informação e do conhecimento.
Carvalho, prossegue com a análise sobre a investigação acerca dos WQ. Neste ponto é visível que os WQ produzidos têm como público-alvo prioritário os alunos do Ensino Básico e do Ensino Secundário[6]. E WQ para o Ensino Superior?
A pergunta é pertinente por duas razões:



  1. Sendo o objectivo das WQ a construção do conhecimento, através do estabelecimento de conexões e ligações, muitas das vezes sem razão aparente para existirem e a colaboração[7] física, próxima ou virtual dos pares intervenientes;

  2. Sendo o número de páginas existentes em inglês, francês, castelhano ou alemão, – com carácter cientifico comprovado – significativamente superiores às existentes em português.

Seria de concluir que as WQ seriam muito mais proveitosas (pelo menos na fase actual de carência de informação científica relevante e válida em português) para a generalidade dos estudantes universitários, pois é natural que eles possam dominar com mais perícia línguas outras, que não a materna.
Esta conclusão - perfeitamente indutiva e sem referências científicas que a validem – pode levar a uma pergunta:
Não deveriam os professores e estudantes universitários estar a produzir – em português – um número significativo de páginas, claras, objectivas, transparentes, simples, cristalinas, clarividentes e discerniveis, que pudessem servir de base a verdadeiros e honestos WQ, produzidos para alunos de todos os graus de ensino, onde fosse possível encontrar várias explicações da Teoria da Relatividade, que se adoptassem aos diferentes estágios cognitivos por que seria desejável que todos nós passasse-mos?
A esta pergunta não tenho resposta. Afinal não sou Professor (com letra capital e sem aspas) e nem sei se alguma vez mo deixarão ser.


Posta a questão nestes termos - e com mais sentido pragmático - sugiro modestamente que no ensino superior (onde me incluo nestes curtos meses) não se limitem a ensinar a fazer WQ: ensinem a fazer páginas de conteúdos ou de assuntos, de competências ou de saberes, de dúvidas e de certezas, com problemas resolvidos ou por resolver, mas que sejam exactos, honestos, simples de entender e finalmente, verdadeiramente livres e universais.
J. M. B. Alves

P.S. Claro que 4 anos já terão passado sobre o texto que comentei e 4 anos em TIC é muito tempo. Muito já se terá feito, se faz e se continuará a fazer. Reflexo disso ... é isto.


Referências às paginas consultadas… de leve e com algumas actualizações de endereços (2009-03-01):
UÉvora-Minerva
Webquest - O ninho
Exemplo de WQ
Controlo dos pontos fixes (ing.) (esta parece do Firestone)
Classificação das tarefas (ing.)
Controlo do processo (ing.)
“Dimensions of Thinking: a Framework for Curriculum and Instruction” Marzano e outros (PDF)

Sobre Dodge
1. Escreve ao Bernie Dodge

2. WQ-Dodge 1995






3. WQ-Dodge 1997/1998











4. WQ-Dodge 1999











[1] Em: AS TIC NA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL Concepções e Práticas (pág 299-327)Organizadores:Fernando Albuquerque Costa; Helena Peralta; Sofia ViseuEditora:Porto EditoraMAR/2008 ISBN 978-972-0-34080-1
[2] Anterior a Março de 2008, data da publicação da compilação. Provavelmente de 2005, ano da passagem do10º aniversário do conceito.
[3] Treasury Hunt
[4] Sobre a tradução de alguns termos originários de outras línguas - actualmente e por questões de supremacia económica, cultural e curricular – termos de língua inglesa, faz-me impressão as meias traduções:ou se utilizam as palavras originais, tal como elas são e a fonética as acabará por adaptar, ou se traduzem na sua totalidade.
WebQuest poderia ser Busca Na Teia, Procura Na Malha, Demanda Na Rede, e embora nenhuma delas me agrade, pelo menos têm a virtude de procurarem ser honestas. Agora Aventura na Web peca por dois motivos: dá a ideia de divertimento infantil (“Uma Aventura com …) e liga uma palavra portuguesa com outra inglesa.
WebQuest é uma palavra que marca e o que marca tem razão intrínseca para existir.
A generalizar-se este tipo de traduções não faltará muito para estar a colocar no automóvel pneumáticos “Pederneira” ou “Lar”, conforme a queda do tradutor for mais para o pirómano ou para o caseiro.P.S. Refiro-me aos pneumáticos “Firestone”.
[5] Actualmente, a página de origem do termo “Aventura na Web” está em http://www.minerva.uevora.pt/historico/subm03_3.htm#webquests
[6] No Ensino Secundário a utilização de WQ é resídual. Não foi detectada informação sobre a utilização de WQ no Ensino Pré-escolar.
[7] Colaborar e cooperar, seja qual for a precedência etária dos conceitos, assentam ou no trabalho em conjunto ou na obra em conjunto


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  • Do blogue da Elda Joana, em 2009-02-08
  • WebQuest 101 Part 1 -- What is a WebQuest?
  • WebQuest 101 Part 2 -- How to make a WebQuest
  • Webquest.org
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