Resumo
A leitura do texto de Carvalho, A. A. A. «Rentabilizar a Internet no Ensino Básico e Secundário: dos Recursos e Ferramentas Online aos LMS.» (2007) [1], leva a que se questionem opções e acções que de um modo geral – dentro do que habitualmente se considera senso comum – são tomadas como usuais e até legais.
Interessa em particular a este promitente educador, no seu papel de modelador, os aspectos que são abordados na secção «Na Senda da Pesquisa: Seleccionar, Citar e Plagiar» [2], e dentro deles especificamente os relacionados com a utilização dos denominados «Creative Commons».
Copy / Paste
A WWW já é actualmente um repositório de informações praticamente infinito para poder ser útil no tempo de vida de cada indivíduo. Agregado à quantidade prolifera a noção de «gratuitidade» dessa informação. Se essa informação está lá é porque alguém a lá pôs e quem a lá pôs sabe que está sujeito a que a utilizem, porque é pública e se é pública posso fazer dela o que entender e até eventualmente referenciá-la com sendo «minha».
Para um adolescente, ou um adulto com características de adolescente, utilizar o que está virtualmente disponível não é um roubo: no fundo não se retira nada do sítio (cut), apenas se tira uma fotografia (Copy ou Prt Sc) que se reproduz noutro local (Paste). Este raciocínio é suficiente abrangente para englobar dentro do mesmo conceito, um programa informático, um livro, um filme, um relatório ou uma imagem: se o original se mantém íntegro não há lugar a sanções: é tudo legal, é tudo normal. No fundo é como se de um jogo se tratasse, pois tudo é virtual e o seu controle (poder) está na ponta dos nossos dedos. [3]
Claro que quem distribui informação pela WWW tem consciência dos riscos que essa mesma informação corre. E é obvio que mais vale ser copiado do que ignorado, da mesma maneira que é mais valiosa uma má noticia na comunicação social, do que não ser notícia.
Mas essa não é a questão de base para um educador. Para ele, como refere A. A. A. Carvalho, é fundamental referenciar a origem da informação nomeadamente “ (…)com a indicação do autor, do ano, do endereço electrónico (URL) e da data de acesso (…)”[4], independentemente da permissão de utilização ao abrigo dos «Creative Commons».
Creative Commons
A primeira dificuldade com que se depara é com significado de «Creative Commons».
Da pesquisa efectuada para “Creative Commons” no Google [5] foi seleccionada a página em português relativa à Wikipedia [6], onde se encontra esta tradução literal “criação comum”. Criação comum? Parece-me uma tradução literal demais... ademais de o português utilizado deixar muito a desejar e de parecer (em princípio) uma tradução menos boa da página em inglês da wikipedia sobre o mesmo assunto. [7] [8] [9]
Em termos gerais, sujeito a uma melhor interpretação, os «Creative Commons» assentam no «Copy”L”eft»[10], que se opõem ao «Copy”R”ight»[11], que por sua vez assentam nos “all rights reserved”. Assim ao invés de todos os direitos estarem reservados, serão explicitados quais os direitos reservados: “some rights reserved”.[12]
Na mesma página em português existe uma ligação ao sítio de Portugal «Creative Commons». Seguida essa ligação [13] as esperanças de esclarecimento diluem-se nas ligações apresentadas: grande parte delas remetem para o sítio em inglês [14], inglês jurídico que apresenta algumas dificuldades de interpretação... [15]
A busca que pretendia esclarecer a forma de como colocar um símbolo no blogue, que não ferisse os direitos de autor, acabou por se transformar na tentativa de obter uma licença «Creative Commons» para o presente blogue.
Por fim a selecção recaiu sobre a mais livre dos «Creative Commons»[16], sem no entanto perder a sensação de que, de alguma forma tortuosa, estava a violar um qualquer direito de autor…
O resultado está no fim do texto.
Conclusão
A utilização das ferramentas de criação e edição da WWW estão ainda longe de serem acessíveis à grande maioria dos utilizadores portugueses. Um dos motivos é a falta de sítios com informações fidedignas na nossa língua. A outra é a necessidade de um investimento temporal desmesurado, para resultados que se pretendem com um mínimo de qualidade social. No entanto este é o caminho e há quem esteja intrinsecamente motivado a trabalhar para o aplanar. Resultado visível desse esforço é o constante evoluir para interfaces mais intuitivos e com mais potencialidade e versatilidade, que remetem para a categoria de obsoleto muitos dos programas e ideias que há dois ou três anos eram o estado da arte.
P. S.
Duas dúvidas finais, relacionadas com o trabalho[17] que deu origem à elaboração deste texto, que por si só obrigariam a muito mais prosa, o que me distanciaria da janela temporal que me impus:
Primeira:
Na página 31, quando faz a destrinça entre o conceito de cooperação onde “ (…) as tarefas são divididas pelos membros do grupo e são realizadas individualmente (…)” e o conceito de colaboração onde “ (…) as tarefas são realizadas por todos num contínuo de partilha, diálogo e negociação (…)”, refere que “ (…) cabe aos professores alertarem os alunos sobre o modo como devem trabalhar, proporcionando-lhes orientações. (…)”.
Como candidato a professor, gostaria de compreender quais e como transmitir essas orientações.
Segunda:
Não existirá uma contradição entre a preparação dos alunos para uma “abordagem colaborativa” (pág. 31) na sala de aula e a necessidade de os preparar para “ (…) a tomada de decisão, numa sociedade globalizada e concorrencial. (…)? (pág. 36).
Alves, J. M. B.
Senhora da Hora, 08 de Fevereiro de 2009
[1] Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 03, pp. 25-40.
Em:
http://sisifo.fpce.ul.pt/;
http://hdl.handle.net/1822/7142;http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7142/1/sisifo03PT02.pdf(sítio visitado em 2009-02)
[2] Pág. 30, obra citada.
[3] Na minha pratica utilizei o trabalho de outros sem ter tido a sua autorização por meio de reproduções em fotografias ou fotocópias, bem como utilizei material virtual (especificamente de imagens para fins didáctico / pedagógicos) sem o consentimento dos seus autores. No entanto indiquei sempre que possível a sua origem, nunca os referi como de minha autoria e nunca me senti feliz com a minha atitude. Tenho uma ética pela metade: pretendo completa-la até se tornar uma ética inteira.
[4] Pág. 30, obra citada.
[5] http://www.google.pt/search?sourceid=navclient&aq=h0&oq=%22creativ&ie=UTF-8&rlz=1T4GGLR_enPT249PT257&q=%22creative+commons%22
[6] http://pt.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons
[7] http://en.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons
[8] Reproduzo no entanto, com algumas correcções, um parágrafo com os antecedentes dos «Creative Commons»:
«(…) filosofia imanente às licenças Creative Commons encontra antecedentes na Open Publication License (OPL), na GNU General Public License (GPL) e na GNU Free Documentation License (GFDL). A GFDL foi criada principalmente para o licenciamento de documentação de projectos de software, mas passou também a ser utilizada em outros projectos (como a Wikipedia). (…)»
[9] Na pesquisa no Google, aparece também a versão “comuns criativos”. Qualquer das duas versões peca por ser demasiado literal.
Commons estará mais próximo da palavra povo ou da palavra popular (House of Commons em oposição a House of Lords).
Quanto a creative a sua associação à palavra portuguesa criativa é mais difícil de descolar. No entanto ouso sugerir o significado de poder. Assim Creative Commons seria Poder Popular, o que concedo, terá um significado demasiado forte e conotado, embora reflicta melhor o que penso estar na origem do seu conceito. (Consultado: “The Oxford Universal Dictionary, Illustrated, Oxford University Press, 1965.
[10] Minúscula e aspas “internas” da responsabilidade do autor deste texto.
[11] Minúscula e aspas “internas” da responsabilidade do autor deste texto.
[12] http://en.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons
[13] http://www.creativecommons.pt/
[14] http://creativecommons.org/
[15] Tal como qualquer texto jurídico português, a escrita é bastante hermética, para que só alguns iniciados a possam interpretar e daí extrair todo o CONHECIMENTO e consequente PROVEITO.
[16] http://www.creativecommons.pt/cms/view/id/28/
«Esta é a licença mais permissiva do leque de opções. Nos termos desta licença a utilização da obra é livre, podendo os utilizadores fazer dela uso comercial ou criar obras derivadas a partir da obra original. Essencial é, apenas, que seja dado o devido crédito ao seu autor».
[17] Carvalho, A. A. A., obra citada
Nota: Todos os sítios foram visitados em 2009-02
Creative Commons
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