No primeiro capítulo do livro[1] é descrita a evolução do uso dos computadores [2]nas escolas – Ensino Assistido por Computador (EAC) –, desde a década de setenta até ao final do século XX. O autor divide a utilização dos computadores em três fases:
Aprender a partir de computadores (repetição e treino, tutoriais e tutoriais IA).
Aprender sobre computadores (conhecer os seus componentes).
Aprender com os computadores (usar ferramentas cognitivas).
Seguidamente são definidos os critérios que os programas devem obedecer para que (no entender do autor) possam ser considerados ferramentas cognitivas, em oposição aos programas classificados como ferramentas de produtividade.
Neste ponto senti abaladas as minhas convicções, por Jonassen não considerar o CAD uma ferramenta cognitiva, pois tocava num assunto que tem sido um dos pilares da minha actividade. Passada a reacção inicial e pelos critérios estabelecidos por Jonassen, concordo que os programas de CAD existentes à data da publicação da versão em língua inglesa do livro (2000), ainda hoje não preencheriam a maior parte dos requisitos. [3]
No segundo capítulo Jonassen analisa os diversos tipos de pensamento, apresentando o Modelo de Pensamento Integrado[4], modelo esse que sob o nome de Processo de Pensamento Complexo, integra o Pensamento Elementar, o Pensamento Crítico e o Pensamento Criativo.
No quarto capítulo, sob o nome “Redes semânticas (mapas cognitivos) enquanto ferramentas cognitivas”, Jonassen apresenta a ferramenta cognitiva que de forma mais sistemática atravessa os capítulos do livro para ilustrar por imagens as suas representações cognitivas, afirmação esta indirectamente confirmada pelo autor quando afirma “Das ferramentas cognitivas descritas neste livro, as redes semânticas são das mais versáteis.” (pág. 95).
“O que são redes semânticas?” é a pergunta de abertura do capítulo. Da pergunta, o vocábulo semânticas, foi o que me despertou a curiosidade. Da limitada pesquisa que efectuei nos dicionários próximos, uma definição de ordem prática justificou a minha curiosidade: “ Nome dado antigamente à parte da arte militar que compreendia o conjunto das disposições destinadas a fazerem mover as tropas por meio de sinais.”[5]
Iniciava um capítulo que tratava de criar uma rede de sinais e a pergunta passava a ser “O que são redes de signos intencionais?”
Jonassen dá a resposta nas primeiras linhas: são representações do conhecimento que aliam capacidades gráficas (caixas e vectores) com as capacidades das palavras, que tanto são usadas para indicar os conceitos (presentes nas caixas, chamados nós), como para rotular as relações entre os conceitos (presentes nos vectores, também chamados linhas rotuladas). Já referido no prefácio, o programa CmapTools (conceptual map), volta a ser referido por Jonassen, como sendo uma ferramenta poderosa e gratuita o que motivou o aceitar do desafio de criar uma rede conceptual. Já no sítio[6], apresentado em forma de mapa conceptual, demorei algum tempo a localizar-me e a entender o mapa em si mesmo. Encontrado o local de download e preenchida a inscrição, a instalação não demorou 5 minutos.
Embora deseja-se a versão inglesa do mesmo, pois desconfio das traduções em geral e das traduções de programas em particular, o facto de ter indicado como país de origem Portugal, obrigou-me a utilizar a versão em português.
Forcei uma desinstalação, voltei ao sítio e seleccionei como país de destino o Reino Unido e mudei de e-mail, na esperança de alterar a linguagem da instalação. Trabalho infrutífero: a versão instalada no computador continuou a ser a de língua portuguesa. Paciência, pelos aplicativos que são inteligentes demais…
A interface é pequena, i. e. são poucos os comandos a utilizar. Porém ao fim de duas horas (tempo que Jonassen diz dever ser suficiente para que um aluno entenda qualquer aplicação/ferramenta para que possa ser considerada cognitiva[7]) ainda não conseguia produzir nada de concreto. As ajudas, só na língua inglesa (felizmente), ligam-nos ao sítio do Cmap. Porém não existe auxiliar de busca para a ajuda, pelo que ficamos limitados à estrutura apresentada. Também não existe FAQ,[8] o que é estranho num sítio que apresenta ferramentas que, para além de cognitivas, deveriam fomentar também colaboração.
Embora esta literatura seja feita como aluno, cabe-me como professor, estudar o programa e explica-lo aos alunos. Alto! Pretender-se-á que os alunos descubram por eles mesmos, melhor, que criem o seu modo de entender o programa, melhor que apresentem o mapa conceptual dos seus entendimentos significativos do programa?
Esta observação, embora possa ser rejeitada como absurda, apenas aplica o que Jonassen postula relativamente aos resultados a obter pelos alunos com a utilização do Cmap, ao criticar os professores que criam as suas redes semânticas e depois as apresentam aos alunos, levando os alunos a memoriza-las e a impedir que eles construam as suas próprias redes semânticas (pág. 78). No mesmo sentido as redes semânticas apresentadas no livro, estão a impedir-me – como aluno que sou – de criar as minhas próprias redes semânticas. Estará Jonassen a fazer o contrário do que advoga?
Passada esta pequena falácia, resolvi testar o Cmap para copiar - no sentido oriental do termo – o esquema gráfico (que não é um mapa conceptual) da figura 2, apresentado na página 39 [9]. O objectivo primeiro foi utilizar o Cmap; o objectivo segundo foi interpretar o esquema e os restantes comentários que o complementam; o objectivo terceiro – sem deixar de ser o mais estimulante – foi o de tentar encontrar outras palavras, o de tentar sintetizar os conceitos e o de criar descritores a alterar / incluir no meu mapa conceptual. Chamo a atenção para o facto que trabalho sobre uma interpretação do mapa de Jonassen, não sobre o mapa original, por isso o resultado pode ainda desviar-se mais as suas intenções.
O tempo gasto na execução do mapa ultrapassou as 8 horas! Apesar de ter um mapa guia, o entendimento do funcionamento do programa – se nos aspectos particulares é simples – apresenta algumas dificuldades no que respeita a certos automatismos – não consegui entender como desactivar, ou tornar “defaul” um certo tipo de nós – bem como apresenta dificuldades (direi mesmo impossibilidades apenas suplantadas com “dar a volta ao problema”) – como no caso da não existência de ligações simples , sem descritores, apenas uma linha, ou vector entre conceitos, tal como existe no mapa que me serviu de referência.
Nesta fase do trabalho gastei cerca de 5 horas. As restantes três foram usadas na pesquisa a termos sintéticos para utilizar no mapa. Algumas opções são discutíveis, mas considero que na generalidade as palavras usadas reflectem os conceitos desenvolvidos por Jonassen, depois de interpretados por terceiros. Embora gostasse de ter apresentado os conceitos por outra ordem, preferi manter a ordem e localização original, para permitir uma comparação efectiva e eficaz com o original.
Para finalizar resta-me referir que, sendo o trabalho colaborativo, um dos objectivos do Cmap, não tive oportunidade de testar esse tipo de trabalho, tanto no meu mapa, como num dos milhares de mapas conceptuais que me apercebi existirem disponíveis. Em próxima ocasião explorarei esta vertente.
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[1] Jonassen, David H., Computadores, Ferramentas Cognitivas - Desenvolver o pensamento crítico nas escolas, Porto editora, 2007
[2] Ao longo do livro são usados com o mesmo significado os termos computador, programa e aplicação informática. Um computador sem qualquer programa não serve para (quase) nada, pelo que o autor quando se refere a computador tem em mente que ele terá qualquer forma de programa de elevado nível, para além do sistema operativo que estabelece a ponte entre o programa e o código binário.
[3] É um programa de CAD uma ferramenta cognitiva?
1. – Baseado em computador: Sim! (este ponto parece redundante dado o teor do livro…)
2. – Disponível: Sim!
3. – Preço acessível: Não! (em 2009 há programas mais económicos, mas mesmo assim…)
4. – Constrói conhecimento pessoal: Sim!
5. – Generalização: Não! (CAD já é uma disciplina.)
6. – Pensamento crítico: Sim! (não há uma forma correcta de usar o CAD, há milhares delas.)
7. – Aprendizagem transferível: Não! (só entre grupos de disciplinas específicas.)
8. – Formalismo simples e poderoso: Não! & Sim!
9. – Fácil aprendizagem: Não!
Resultado: Sins 5; Nãos 5. Empate. Sou tendencioso.
[4] Departamento de Educação de Iowa, 1989.
[5] Machado, J.P., Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1981, XI-64
[6] http://cmap.ihmc.us/conceptmap.html
[7] É evidente ao longo da leitura do livro, que os programas abordados são para ser usados por alunos a partir do nível secundário.
[8] Frequented Asked Questions.
[9] Modelo de Pensamento Integrado, Departamento de Educação de Iowa, 1989.
Aprender a partir de computadores (repetição e treino, tutoriais e tutoriais IA).
Aprender sobre computadores (conhecer os seus componentes).
Aprender com os computadores (usar ferramentas cognitivas).
Seguidamente são definidos os critérios que os programas devem obedecer para que (no entender do autor) possam ser considerados ferramentas cognitivas, em oposição aos programas classificados como ferramentas de produtividade.
Neste ponto senti abaladas as minhas convicções, por Jonassen não considerar o CAD uma ferramenta cognitiva, pois tocava num assunto que tem sido um dos pilares da minha actividade. Passada a reacção inicial e pelos critérios estabelecidos por Jonassen, concordo que os programas de CAD existentes à data da publicação da versão em língua inglesa do livro (2000), ainda hoje não preencheriam a maior parte dos requisitos. [3]
No segundo capítulo Jonassen analisa os diversos tipos de pensamento, apresentando o Modelo de Pensamento Integrado[4], modelo esse que sob o nome de Processo de Pensamento Complexo, integra o Pensamento Elementar, o Pensamento Crítico e o Pensamento Criativo.
No quarto capítulo, sob o nome “Redes semânticas (mapas cognitivos) enquanto ferramentas cognitivas”, Jonassen apresenta a ferramenta cognitiva que de forma mais sistemática atravessa os capítulos do livro para ilustrar por imagens as suas representações cognitivas, afirmação esta indirectamente confirmada pelo autor quando afirma “Das ferramentas cognitivas descritas neste livro, as redes semânticas são das mais versáteis.” (pág. 95).
“O que são redes semânticas?” é a pergunta de abertura do capítulo. Da pergunta, o vocábulo semânticas, foi o que me despertou a curiosidade. Da limitada pesquisa que efectuei nos dicionários próximos, uma definição de ordem prática justificou a minha curiosidade: “ Nome dado antigamente à parte da arte militar que compreendia o conjunto das disposições destinadas a fazerem mover as tropas por meio de sinais.”[5]
Iniciava um capítulo que tratava de criar uma rede de sinais e a pergunta passava a ser “O que são redes de signos intencionais?”
Jonassen dá a resposta nas primeiras linhas: são representações do conhecimento que aliam capacidades gráficas (caixas e vectores) com as capacidades das palavras, que tanto são usadas para indicar os conceitos (presentes nas caixas, chamados nós), como para rotular as relações entre os conceitos (presentes nos vectores, também chamados linhas rotuladas). Já referido no prefácio, o programa CmapTools (conceptual map), volta a ser referido por Jonassen, como sendo uma ferramenta poderosa e gratuita o que motivou o aceitar do desafio de criar uma rede conceptual. Já no sítio[6], apresentado em forma de mapa conceptual, demorei algum tempo a localizar-me e a entender o mapa em si mesmo. Encontrado o local de download e preenchida a inscrição, a instalação não demorou 5 minutos.
Embora deseja-se a versão inglesa do mesmo, pois desconfio das traduções em geral e das traduções de programas em particular, o facto de ter indicado como país de origem Portugal, obrigou-me a utilizar a versão em português.
Forcei uma desinstalação, voltei ao sítio e seleccionei como país de destino o Reino Unido e mudei de e-mail, na esperança de alterar a linguagem da instalação. Trabalho infrutífero: a versão instalada no computador continuou a ser a de língua portuguesa. Paciência, pelos aplicativos que são inteligentes demais…
A interface é pequena, i. e. são poucos os comandos a utilizar. Porém ao fim de duas horas (tempo que Jonassen diz dever ser suficiente para que um aluno entenda qualquer aplicação/ferramenta para que possa ser considerada cognitiva[7]) ainda não conseguia produzir nada de concreto. As ajudas, só na língua inglesa (felizmente), ligam-nos ao sítio do Cmap. Porém não existe auxiliar de busca para a ajuda, pelo que ficamos limitados à estrutura apresentada. Também não existe FAQ,[8] o que é estranho num sítio que apresenta ferramentas que, para além de cognitivas, deveriam fomentar também colaboração.
Embora esta literatura seja feita como aluno, cabe-me como professor, estudar o programa e explica-lo aos alunos. Alto! Pretender-se-á que os alunos descubram por eles mesmos, melhor, que criem o seu modo de entender o programa, melhor que apresentem o mapa conceptual dos seus entendimentos significativos do programa?
Esta observação, embora possa ser rejeitada como absurda, apenas aplica o que Jonassen postula relativamente aos resultados a obter pelos alunos com a utilização do Cmap, ao criticar os professores que criam as suas redes semânticas e depois as apresentam aos alunos, levando os alunos a memoriza-las e a impedir que eles construam as suas próprias redes semânticas (pág. 78). No mesmo sentido as redes semânticas apresentadas no livro, estão a impedir-me – como aluno que sou – de criar as minhas próprias redes semânticas. Estará Jonassen a fazer o contrário do que advoga?
Passada esta pequena falácia, resolvi testar o Cmap para copiar - no sentido oriental do termo – o esquema gráfico (que não é um mapa conceptual) da figura 2, apresentado na página 39 [9]. O objectivo primeiro foi utilizar o Cmap; o objectivo segundo foi interpretar o esquema e os restantes comentários que o complementam; o objectivo terceiro – sem deixar de ser o mais estimulante – foi o de tentar encontrar outras palavras, o de tentar sintetizar os conceitos e o de criar descritores a alterar / incluir no meu mapa conceptual. Chamo a atenção para o facto que trabalho sobre uma interpretação do mapa de Jonassen, não sobre o mapa original, por isso o resultado pode ainda desviar-se mais as suas intenções.
O tempo gasto na execução do mapa ultrapassou as 8 horas! Apesar de ter um mapa guia, o entendimento do funcionamento do programa – se nos aspectos particulares é simples – apresenta algumas dificuldades no que respeita a certos automatismos – não consegui entender como desactivar, ou tornar “defaul” um certo tipo de nós – bem como apresenta dificuldades (direi mesmo impossibilidades apenas suplantadas com “dar a volta ao problema”) – como no caso da não existência de ligações simples , sem descritores, apenas uma linha, ou vector entre conceitos, tal como existe no mapa que me serviu de referência.
Nesta fase do trabalho gastei cerca de 5 horas. As restantes três foram usadas na pesquisa a termos sintéticos para utilizar no mapa. Algumas opções são discutíveis, mas considero que na generalidade as palavras usadas reflectem os conceitos desenvolvidos por Jonassen, depois de interpretados por terceiros. Embora gostasse de ter apresentado os conceitos por outra ordem, preferi manter a ordem e localização original, para permitir uma comparação efectiva e eficaz com o original.
Para finalizar resta-me referir que, sendo o trabalho colaborativo, um dos objectivos do Cmap, não tive oportunidade de testar esse tipo de trabalho, tanto no meu mapa, como num dos milhares de mapas conceptuais que me apercebi existirem disponíveis. Em próxima ocasião explorarei esta vertente.
2000.jpg)
[1] Jonassen, David H., Computadores, Ferramentas Cognitivas - Desenvolver o pensamento crítico nas escolas, Porto editora, 2007
[2] Ao longo do livro são usados com o mesmo significado os termos computador, programa e aplicação informática. Um computador sem qualquer programa não serve para (quase) nada, pelo que o autor quando se refere a computador tem em mente que ele terá qualquer forma de programa de elevado nível, para além do sistema operativo que estabelece a ponte entre o programa e o código binário.
[3] É um programa de CAD uma ferramenta cognitiva?
1. – Baseado em computador: Sim! (este ponto parece redundante dado o teor do livro…)
2. – Disponível: Sim!
3. – Preço acessível: Não! (em 2009 há programas mais económicos, mas mesmo assim…)
4. – Constrói conhecimento pessoal: Sim!
5. – Generalização: Não! (CAD já é uma disciplina.)
6. – Pensamento crítico: Sim! (não há uma forma correcta de usar o CAD, há milhares delas.)
7. – Aprendizagem transferível: Não! (só entre grupos de disciplinas específicas.)
8. – Formalismo simples e poderoso: Não! & Sim!
9. – Fácil aprendizagem: Não!
Resultado: Sins 5; Nãos 5. Empate. Sou tendencioso.
[4] Departamento de Educação de Iowa, 1989.
[5] Machado, J.P., Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1981, XI-64
[6] http://cmap.ihmc.us/conceptmap.html
[7] É evidente ao longo da leitura do livro, que os programas abordados são para ser usados por alunos a partir do nível secundário.
[8] Frequented Asked Questions.
[9] Modelo de Pensamento Integrado, Departamento de Educação de Iowa, 1989.
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