Monday, April 18, 2011

«Cedilha Perdida: Cão Cega» 2011-04-18

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«Cedilha Perdida: Cão Cega» B.A.R. 2011

6 comments:

José Alves said...

1º tempo [Rascunhado em 2011-04-10. Versão final de 2011-04-20:
Visita em 2011-03-26 à exposição “Artur Loureiro, 1853-1932”, orientada pela Dr.ª Elisa Soares.(1)
1. Embora pinte – não tanto quanto o desejava – a minha formação base é a arquitectura. Este facto, colmatado com autodidactismo e com a frequência de acções do carácter desta, comporta uma vantagem e/ou uma desvantagem, dependendo do ponto de vista. Vantagem porque ao observar uma obra não tenho de me libertar dos conceitos que uma formação académica nesse assunto obrigatoriamente me teria sido imposta. Desvantagem porque ao não ter uma sustentação na histórica, a compreensão da obra pode estar amputada de elementos, que, embora pudessem não contribuir para a formação do gosto, poderiam no entanto reforçar a aceitação de um resultado ou proposta de resultado.
2. A visita teve o condão de me fornecer os elementos bibliográficos que enformaram as produções de Loureiro. Mas apenas de um ponto de vista muito restrito, nas proximidades das relações do autor e (quase (2) ) nunca num contexto mais amplo das profundas alterações sociais e técnicas que caracterizaram aquela época, nomeadamente nas que afectaram a pintura e as artes em geral.
3. [De certa forma a visita foi longa, cansativa e enfadonha].

(1). Este tempo foi redigido sem o apoio do catálogo e com pesquisa de informação na Internet.
(2). Excepção à referência ao movimento de William Morris ”Arts and Crafts Movement” e a crise económica na Austrália resultante do fim da prospecção de ouro. Quanto a este facto, que não ocorreu apenas uma vez, e que foi apontado como sendo a causa do retorno de Arthur, é interessante verificar que o seu retorno ocorre no ano da aprovação pelo parlamento britânico da constituição de uma federação de estados no continente austral. Ver “Timeline of Australian history”

José Alves said...

2ª tempo: [Rascunhado em 2011-04-10. Versão final de 2011-04-20]
Visita ao blog (1) ” http://arturloureiro.blogspot.com/ ”
1. Da leitura da primeira mensagem “Envie um comentário a esta mensagem mencionando as potencialidades da obra de Artur Loureiro como recurso educativo na sala de aula.” e da consulta das imagens presentes no blog surgem-me três observações:
a. Ainda não estou por dentro do espírito do Artur e já me é solicitado um comentário sobre a potencialidade da sua obra como recurso educativo. Ainda pouco sei sobre ele e já tenho de demonstrar que ele é óptimo, que os alunos serão impelidos para o estudar, que a sua obra é excelente para abordar conteúdos e competências. Esta é uma questão para o final da formação.
b. Por outro lado o tempo em que é solicitado esta reflexão coincide com a aproximação do final do 2º período, altura em que (normalmente) os professores estão sujeitos a maiores pressões resultantes do processo avaliativo e tarefas conexas.
c. Das poucas obras à altura presentes no blog (actualmente – 2011-04-10 – estão muitas mais) há uma que me desperta a curiosidade: «Castelo da Foz» 1909. A construção é-me familiar. A figura presente enigmática. A cor do céu invulgar para a latitude. Impunham-se duas acções: visita ao local e revisita ao MNSR para um leitura mais atenta da obra.


(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Blogs

José Alves said...

3º tempo: [Rascunhado em 2011-04-11. Versão final de 2011-04-20]
Visita às cercanias do Castelo da Foz do Douro, Forte de São João Baptista (1)
2011-04-02.
1. Do local onde Artur assentou o cavalete já não é possível percepcionar o que ele representou. Não por a construção ter sofrido grandes alterações com a passagem do século, mas porque a natureza e o homem se encarregaram de bloquear a visão.
2. Por um lado as árvores a poente do Jardim do Passei Alegre, já concluído mas sem a fonte e os obeliscos (2), se não são as mesmas do ano de 1009, são outras que pela pujança da copa, inviabilizam a escolha daquele ponto de vista. Por outro lado, ao vegetação na proximidade do forte (inexistente ou não representada pelo Artur), diminui ainda mais a visualização do objecto central da composição.
3. E por fim, mas não menos importante, os muros que o rodeiam a nascente e que ocultam o embasamento da fortificação, são pertença do complexo desportivo do “Lawn Ténis Clube Foz”. Urge uma acção demolidora sobre esta reminiscência colonial, agravada pela localização no forte do “Instituto de Defesa Nacional”…

Ver a pintura e as fotografias em:
Arquivo de Março de 2011


(1). PortoDigital-Monumentos
(2). PortoDigital-Jardins

José Alves said...

4º tempo [PARTE III]
[Rascunhado em 2011-04-11. Versão final de 2011-04-21]
Revisita em 2011-04-10 à exposição “Artur Loureiro, 1853-1932” para rever a obra «Castelo da Foz» 1909. Aquisição do catálogo da exposição (não consultado à altura desta escrita).
Versão revista, amputada e aumentada, dos apontamentos tomados frente à obra.

[3.] Há três manchas de pinceladas no “Castelo da Foz” que me atraem.
[A -] Primeiro o grupo de brancos à esquerda da composição (que pode ser entendido como uma única superfície interrompida pela árvore e pela figura da composição) que representará o aflorar do extenso de areal existente à época.
[B -] O segundo grupo de pinceladas, embora não tão evidente, é o grupo das pinceladas brancas (mais pequenas) nos muros da fortificação.
[C -] Ambos os grupos representam as pinceladas mais cruas, as da despedida da composição. Estas pinceladas quase se deslocam do mimetismo de uma representação, para valerem por si só, para serem (as)significantes (sem significado), quase abstractas.

[4.] Há alguns elementos que me fazem questionar sobre a personalidade de AR:
[A -] A procura do conforto. Loureiro não escolhe o ângulo mais vigoroso do forte para o representar. Quase não há percepção dos bastiões, quase que é uma construção civil. O quadro é pintado à sombra. Relaxadamente. Protegido do calor e de uma luz que não parece deste paralelo, mas sim de uma paralelo mais a sul. (4)
[B -] E quanto às dimensões? 86 por cerca de 60 cm é bastante grande para uma pintura de exterior. Terá Loureiro usado a fotografia para trabalhar em estúdio? Ou terá sido este um trabalho de estúdio baseado num estudo local, cujo original se perdeu ou não está presente na exposição? Sem resposta, apenas aponto as obras “Paisagem – Rio Douro” [59,5 x 29 cm] e “Porto (Rio Douro)” 1922 [146 x 91 cm], como exemplos de um estudo e de uma composição final, cujas dimensões são bastante diferentes. O que pensar de obras como a “Paisagem - Ponte de Lima” 1906 [185 x 120 cm]. Loureiro é um pintor do exterior ou era um pintor de exteriores?
[C -] Loureiro sendo um fiel observador, não se limitou a representar o observado: interpretou-o. E ao interpreta-lo, tocou-me. E é essa a essência da arte, qualquer que seja o suporte, a técnica ou a época da execução.

(4) Suponho que é perceptível esta procura de conforto para trabalhar e da representação de uma certa luz em várias das composições do autor.

José Alves said...

4º tempo [PARTE I]
[Rascunhado em 2011-04-11. Versão final de 2011-04-21]
Revisita em 2011-04-10 à exposição “Artur Loureiro, 1853-1932” para rever a obra «Castelo da Foz» 1909. Aquisição do catálogo da exposição (não consultado à altura desta escrita).
Versão revista, amputada e aumentada, dos apontamentos tomados frente à obra.

[1.] “Castelo da Foz, 1909”
Ver uma fotografia de uma pintura não é ver uma pintura. Ver uma fotografia de um local não é ver uma pintura do mesmo local.
O que expõem aquela mulher, velha de aparência? O que está no tabuleiro forrado a branco? O que contêm aquela (única?) garrafa? Que mais encerra no seu baú de lata? Ou [será] de madeira? A que árvore se encosta? O que representa aquela mulher, único ser vivo presente? O que se pode ver nesta representação 112 anos depois da sua execução?
Estas são as perguntas secundárias (secundárias no sentido de serem as segundas a serem feitas) pois o espaço que ocupam na tela é ínfimo, comparado com o espaço total ocupado pelo Castelo da Foz, Forte de São João Baptista. Estará ele hoje (o Forte) muito diferente? Estará a sua envolvente muito alterada? Pela visita ao local que há muitas e ao mesmo tempo muito poucas diferenças. Actualmente existe um jardim (1) e uma zona de campos de ténis. Mas o edifício em si (que já na altura da execução da tela não cumpria as funções para que foi construído dadas as alterações nas técnicas e nos meios da guerra), parece quase igual, descontando as alterações decorrentes dos trabalhos de conservação e de adaptações de funções. Retirados os campos de ténis e o arvoredo que o envolve quase estaríamos na presença do mesmo edifício que Artur Loureiro representou. Esta perspectiva para um trabalho de encontrar as diferenças histórias entre o actual e o representado, pode de uma forma simples levar à execução de um registo gráfico.

(1) 1860-1892, Emile David. Ver ”Passeio Alegre”

José Alves said...

4º tempo [PARTE II]
[Rascunhado em 2011-04-11. Versão final de 2011-04-21]
Revisita em 2011-04-10 à exposição “Artur Loureiro, 1853-1932” para rever a obra «Castelo da Foz» 1909. Aquisição do catálogo da exposição (não consultado à altura desta escrita).
Versão revista, amputada e aumentada, dos apontamentos tomados frente à obra.

[2.] Algumas perguntas se destacam, muitas delas sem resposta imediata:
[A -] O que tem a pintura de Loureiro, para além da representação do Forte e da vendedeira que o não contempla? (Nota: Se estava lá uma vendedeira é porque é suposto que haja compradores. Onde estão os clientes?)
[B -] Como sobrevive um pintor numa época em que a fotografia faz a representação precisa do observado?
[B -] Pela cor das imagens? A fotografia ainda a não transmitia (2) . E este facto seria um ponto a favor da pintura.
[C -] A fotografia de obras a cores também é a preto e branco, por isso a comparação dos resultados representados em fotografia - fotografia do objecto representado por pintura e fotografia do objecto real – é possível e neste caso equivalente (3) . E ao serem equivalentes as duas imagens, não sairá a fotografia vencedora desta contenda, na medida em que ela está muito mais próxima da realidade?
[D -] O que fazer numa época em que a fotografia suplanta em rapidez a representação do observado? Alterar a realidade. (In)Acção, que quanto a mim está na origem de algum desapontamento de Loureiro. É uma opinião que necessito de consolidar ou eliminar.

(2) Na realidade em 1909 a técnica da fotografia a cor já estava desenvolvida e comercializada, mas não difundida. Ver ”Autochrome Lumière”. Para uma informação geral sobre fotografia a cor consultar ”Fotografia a cores”.
(3) Esta comparação refere-se especificamente às reproduções pontuais. A técnica de passagem da fotografia para reprodução múltipla, nomeadamente para os jornais, ainda era rudimentar, embora essa técnica já existisse desde 1880. Ver ”Fotojornalismo”.

  • Do blogue da Elda Joana, em 2009-02-08
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